Page 24 - Revista LER&Cia Edição 89
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LER&CIA / Variedades


                                 CHEGA DE
              ansiedade











                                    Pés que não param de balançar, um frio na barriga insis­
                                 tente, a cabeça que está sempre pensando no futuro. É difícil
                                 encontrar alguém que não precise lidar com a ansiedade, ao
                                 menos de vez em quando. O sentimento é, na verdade, uma
                                 resposta natural do nosso organismo a situações que ele com­
                                 preende como potencialmente perigosas, por isso é normal sen­
                                 tir­se ansioso frente a uma prova difícil na escola ou uma apre­
                                 sentação importante no trabalho, por exemplo. O problema é
                                 quando a ansiedade se torna uma vivência diária e passa a trazer
                                 prejuízos para o dia a dia — neste caso, o sentimento precisa ser
                                 olhado de perto e tratado com cuidado. “O que vai definir se o
                                 quadro é clínico ou não é a funcionabilidade da pessoa diante
                                 da vida. Torna­se um problema a partir do momento em que os
                                 sintomas começam a interferir nas atividades do dia a dia e ela
                                 não tem o gerenciamento emocional para retornar a um estado
                                 de equilíbrio”, explica a psicóloga e fundadora do Centro de
                                 Psicologia Positiva e Mindfulness do Paraná, Sheila Drumond.

                                    ANSIEDADE E TECNOLOGIA
                                    É difícil escapar. Os estímulos que demandam nossa aten­
                                 ção aparecem de todos os lados, especialmente por causa da
                                 internet e das novas tecnologias, que nos permitem, o tempo
                                 todo, estarmos conectados. “Elas surgiram para que pudésse­
                                 mos ter mais tempo de qualidade. Mas nós usamos essa tecno­
                                 logia para trabalhar mais”, pontua a psicóloga. Não existe mais
                                 o tempo do trabalho e o tempo do descanso — tudo se mistura
                                 no ambiente atemporal e quase metafísico da internet.
                                    Mesmo as redes sociais, como bem sabemos, colaboram
                                 para aumentar a sensação de ansiedade. No Instagram e no
                                 Facebook, por exemplo, a alta exposição a conteúdos positivos
                                 pode criar a sensação de falta de autoeficácia e baixa autoesti­
                                 ma. Já o WhatsApp incita a ansiedade pelo imediatismo que
                                 pressupõe. “A ansiedade faz com que nossa mente interprete o
                                 pior cenário possível diante de uma situação. Então, se alguém
                                 me manda uma mensagem às dez horas da noite e eu não res­
                                 pondo, muito provavelmente quem enviou a mensagem vai
     ILUSTRAÇÃO: FREEPIK         pensar que estou chateada ou que aconteceu alguma coisa”,
                                 aponta a psicóloga. O tempo das múltiplas telas e da conexão
                                 incessante à internet cria a sensação de que estamos, o tempo
                                 todo, perdendo alguma coisa — e, portanto, tendemos a estar
                                 alertas, o que pode acarretar uma série de problemas, que vão
                                 do estresse à depressão.


      24  NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 2019
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